quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Poema do medo


- Sobre o seu coração?, eu tenho algo a lhe dizer sim. Tem medo de quê? Já parou pra pensar no que você tem medo? Tem um sorriso lindo, é uma mulher bonita. Mas do quê tem medo? Descobre primeiro, pra depois querer caminhar. ... E acordei.

Medo? Imagina! Medo de nada! Apenas de ficar sem o chão nos pés pela frustrada tentativa inocente em demonstrar uma pitadela a mais de admiração e respeito que lhe tenho desde que te conheci. Não sei se seria também medo de escutar mais do mesmo que sempre me conta do algo que, veladamente, não lhe agrada. No andar da carruagem, sempre toma a mesma inclassificável solução: ainda não achei, me desculpa a confusão, mas não quero que sejas mais além dessa doce ilusão. Talvez até um medo recíproco de falar: então, e de agora pra frente, como é que vai ser?... E não saber agir, nem pensar, e sentir vontade de desistir por medo de não querer errar, por medo de ser só o sonho, e o sonho se realizar, e de repente tudo ser igual a pedra a lapidar, e não saber conjugar o imperativo do verbo saber: e se eu não souber, e se vocês não souberem, e se nós não soubermos por onde começar.

Medo futuro de ter que discordar e, instantânea e inconscientemente reagir em faces de desaprovação a atos inaceitáveis de meu melhor viver, numa eterna efêmera condição de amiga-carmim. E de você desgostar, e eu me chatear, apenas por demostrar meus princípios em te argumentar em invasão não salutar, recuar ao meu lugar, talvez me forçar a aceitar, colocando acima de tudo o respeito!, e assim me sufocar com a garganta a inflar por calar. E talvez seja um medo ainda não admitido, que resume a tristeza, sensação de incompetência inútil, porque não compete a mim mudar. Ou mais uma vez: talvez, seja de minha competência mudar e acabar de aceitar, conviver e relevar, e por fim, respeitar mais do que penso que te respeito.

Medo também de sumir, o mundo me engolir e engolir a vontade de te ver, te viver, te saborear, e nesse rolo mundando me entregar pra jantar sendo o jantar na cela de Sade à luz de velas, ou pela tela de Cinema a lá Paradiso, ou pelo tubo da TV a cintilar. Mas esse é, dos medos, o menor. Medo grande mesmo é de não ter certeza de nada. Medo grande é de colocar o não ao lado do travesseiro pra retumbar noite e dia noite e dia noite e dia e dias e dias até que as paredes não tenham mais fôlego pra refletir o éco do arrependimento, e tentar ao menos um pouco além daquilo que ainda me faz duvidar. E na dúvida, como tantas e tantas vezes já feitas com semi-lucros, denovo, e denovo, e denovo calar.

Sei que o tempo dirá em quais linhas meus medos vão se amarrar, e de cordel em cordel, poder a chuva lavar, pra tinta desbotar e formar figuras no chão de um recomeçar, ou coisa outra qualquer que o simpático futuro irá sorrir, pestanejando apenas pra saber se realmente vai ser bem aproveitado o meu modo de aguardar. Passo a passo, salada a salada, mel a mel, coração à razão ao coração, manjericão a manjericão.

No melhor de tudo, é simples, porém não fácil, implodir todos os medos pontuados. Preciso é admitir que esse medo é aquele de nada dar certo, e de entregar ao mundo tão frágil pedaço de carne pra bater em sintonia de outro tom - ciente no subconsciente do inevitável descompasso, e que o milagre da diversidade está na diversão do compasso descompassado. Amedrontada verdade minha de não saber mais como brincar com o descompasso, no compasso de querer
sempre um pouco mais.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Sem assunto ou O assunto do dia


É aquela sensação de querer fazer algo e não saber o que é, de querer comer um doce gostoso e não saber escolher na bomboniere. Não compensa ficar aqui, sentada em frente ao notebook, com os olhos no nada tentando arrumar assunto pra falar.

Um desabafo: a desagradável diarréia do meu cachorrinho Scotch. Acho que eu troquei de ração muito rápido. Na verdade eu sempre a troco, mas com esta ele não se adaptou. Prefiro abster a marca. Penso em dar soro caseiro pra ele. Pesquisei alguns artigos. Dizem que, também para cães, é forte meio de prevenção contra a desidratação. Amanhã, quando receber meu mês trabalhado, vou levá-lo ao veterinário. Agora ele descansa um pouco. Ele tá alegre. Até brincamos de bola amarela mais cedo. E creio que ela vá ficar bem... É passageiro.

Poderia dissertar sobre minhas paredes externas da casa alugada onde moro. Ontem me deu a louca, e resolvi passar uma corzinha na casca da minha toca. Comprei um saco de cal virgem, daquele tradicional de 8 kilos, e pigmento Xadrez azul. Raspei mais de 14m² de parede tomada de líquens com a espátula velha e eficiente herdada do meu pai nos tempos de divórcio com minha mãe. Saíram mais de dois sacos de musgo e parede em forma de lascas de chocolate branco. No caso, chocolate verde. O lenço que amarrei no nariz pra evitar o pó que o musgo solta me sufocou o tempo inteiro, mas compensou. Hoje respiro perfeitamente. Se tudo der certo, a tarde molho as paredes e pinto tudo - de cima em baixo! Estou com um pressentimento concreto de que apenas um saco vai ser pouco pro espaço que quero pintar. Já esperava essa pintura há muito tempo. Hoje, quase em vias de mudança imaginária, resolvi fazer a reforminha, mesmo que seja pra curtir pelo resto do mês. Mesmo assim, nada é desperdício. Se mudar, terei mesmo que entregar a casa em ordem.

E tantas outras idéias na cabeça... Nenhuma pra ser publicada ainda. Umas por falta de conclusão. Outras por serem ainda expectativas e sonhos. Outras, não posto pra me preservar. Sabe-se lá o dia de amanhã. Mas se tudo der certo,... .... se tudo der certo... Bom, se tudo der certo, a vida continua do mesmo jeito, apenas um pouco diferente. O que há de diferente nisso é uma nova dose de alegria, outras preocupações, outro rítmo de vida. Independente de estar beirando os 30 (há apenas 17 dias dele chegar), não mais me contento em deixar a vida me levar. É hora de fazer acontecer do meu jeito, como penso ser ideal pra mim, da minha maneira - mesmo que um monte de gente fale que está errado, ou que eu preciso mudar. É importante ouvir, receber conselhos. Algumas coisas acato, outras não. Cada um é cada um...

Enfim... ficaria aqui o dia todo falando frases de parachoque de caminhão, ou citando amenidades de livrinhos de autoajuda. Mas nada disso ajuda o meu dia acontecer em ações. E tenho muito o que fazer... Então, vou movimentar a vida... Até porque estou mesmo sem assunto pra postar por aqui... Texto sem sal... Texto comum.
Dia comum...
Acontece.

sábado, 26 de setembro de 2009

Ele me reservou o que há de melhor


Bem que eu tenho vontade. Vontade der ser sua namorada. "A" namorada. Não faço o gênero "duma" namorada. A propósito, eu nunca quis ser "uma" namorada de ninguém. Vontade de escutar "Vamos lá pra casa, a gente fica lá, tomamos um vinho. Eu faço um jantar pra você. Topa?". E ir. Porque eu vou adorar poder dormir nos teus braços num sofá macio, encostar minha cabeça no seu peito, sentir seu carinho nos meus cabelos. Vez ou outra um beijinho da cabeça, no rosto, na boca. Um selinho de doçura. Assistir um programa de TV, ficar de bailinho no coração, romancinho de edredon da madrugada de sábado pra domingo. Porque eu não ligo se é pra ficar em casa. Aliás, Paris não tem tanta graça sem a outra metade.

Vontade de ter o poder de trazer as boas mudanças na sua vida. Imagino na minha mente adolescente, fértil e romântica que talvez o que eu tenha a lhe oferecer possa, naturalmente, tapar as rachaduras da sua vida que você preenche com o que te destrói. E honestamente fico triste por isso acontecer já há muito tempo, mas te respeito. Não gosto de saber que ainda é dependente do que ninguém precisa. Fica estampado na minha cara que eu não gosto. Porque eu sei, você sabe: todo mundo sabe que você não precisa, mas você não larga por não sei o quê, ou pela escolha de continuar até o momento em que algo que você procura e não acha, (ou já sabe onde está e não reparou) surja pra poder preencher o espaço que hoje está ocupado assim, do jeito que está. Um dia você me disse que era feliz assim. Mas eu não consegui entender. É muito louco, isso, né?! Pois é... Não colou. Pra mim, soou como a peneira sobre o sol da sua cabeça. Reservei-me o dever de, naquele momento, te respeitar. Me desculpa se o que escrevi te machuca, encomoda ou invade, mas foi um desabafo. Doeu? Pois é, dói em mim te ver assim... Mas também, quem disse que eu sei o que é melhor pra você? O que eu sonho pra você pode ser a felicidade pra mim, não pra você. E mais uma vez, coloco-me, neste instante, no meu devido lugar: quietinha, te admirando como você é... Esse ping-pong do parágrafo é proposital: ladainha que eu não te falo, porque já acho que é abuso demais da minha parte falar mais de uma vez.

Vontade é poder falar mil, cem mil, um milhão de vezes, ou quantas vezes for preciso: você vai conseguir, estou aqui contigo, não vou te deixar. Mas só poderei colocar isso em prática se você quiser sair dessa terra seca e infértil pra sempre. Bom, pra sempre é algo tão distante quanto o pote de ouro do final do arcoíris. Seria ideal, então, que esse tempo fosse pro resto da sua vida: desta carnal vida. Mas só se você realmente quiser e fizer, diferente de só falar que quer. Quando estiver preparado, e se quiser contar comigo, me avisa. Eu vou te buscar no inferno: a gente vem caminhando aos poucos pro jardim daqui de fora. E se acha que por aqui tem um marasmo infindo?! Menino do céu! Você vai ficar doido de tanta coisa bela que tem pra você conhecer, ver de uma outra forma, sentir, experimentar, sinestesiar. Acho que, te conhecendo um pouquinho, vai gostar muito daqui. É muita pureza, muita cor, muita vida, muita luz.

Você não tem noção da sua força, da sua beleza, dos seus defeitos tão pequenos e tão "cataclísmicos", mas necessários pra tornar você alguém muito importante pra mim. Sinto-me uma formiguinha perto de ti, incapaz de fazer algo pra te ajudar em alguns momentos. Aí eu me calo e te abraço... Será que eu já ajudo fazendo o nada que faço e não fazendo o que eu gostaria de fazer? E são alguns outros "serás" que nem arrisco pensar que um dia terá alguma coisa além de até onde chegamos por hoje. Além do quê, a nossa indecisão sobre o que será de nós no começo do fim de nossas vida, um dia passa, e a gente se arranja da forma que Deus quiser.

Existe a vontade de fazer muito mais coisas contigo, mas eu sei que pra tantos "quereres", é preciso, antes de mais nada, ser escolhida. Por hoje, agradeço e grifo na alma cada minuto contigo, escuto cada palavra, que por vezes entram por um ouvido e saem por outro, distraídos pelos meus olhos que ficam a te admirar, reparar em cada detalhe do seu rosto, em cada gesto do seu corpo ao volante, a cada silêncio de arremate de conversa. Mais lhe escuto que falo, simplesmente porque gosto de saber o que você pensa, e comparar com o que já me disse algumas vezes sobre o mesmo assunto. Comparo os tempos, e não concluo nada. Apenas te respeito. A cada vez que isso acontece, é o meu sorriso bobo - que particularmente não vejo ter nenhuma graciosidade - manjericanizado, avoado, ou indefinidamente sei lá o quê - que arremata os seus discursos sinestésicos. Então, espero o momento em que sua mão encontra a minha depois de uma troca de marcha do carro. E fica tudo bem.

Das suas opiniões e das minhas opiniões sobre qualquer coisa: todo mundo fala besteira, faz besteira, assume posições e volta atrás, comete erros crassos, enganos por inocência ou sem maldade que tem efeitos devastadores na vida de um monte de gente. Ninguém é perfeito! Todo mundo tem defeitos irritantes, capazes de despertar a opinião mais incoveniente das pessoas como o famoso "como é que você aguenta!?". Tanta coisa humanamente raza que nos ausenta de todos os conceitos criados pelos "benditos fdp" donos de agências de publicidade colocando a Gisele lá em cima, e qualquer outra mulher do mundo abaixo dela. Eu tenho certeza de que ela tem mau hálito quando acorda, o cabelo dela deve ser ressecadíssimo por causa de tanta escova e babyliss, e ela deve ter sempre muitas espinhas tiradas pelo photoshop: uma a uma. Ela deve falar um monte de merd* que é cortada pela edição nas entrevistas que faz, e comete erros com as pessoas: magoa-as por maldade ou não. Deve ter amigos e inimigos, ou antipatizantes íntimos. Se a Gisele Bünchen que é a Gisele Bünchen é tudo isso, porque eu gostaria de ser perfeita e querer alguém perfeito pra mim?

Bom, eu nem sei porquê comecei a falar disso, e desviei do fato de que vontade mesmo é de eu ter "O" namorado, com defeitos e qualidades. "O" namorado vai ter caráter, falar o que sente, brigar quando precisa, reconciliar quando tudo está esclarecido. Abrir a porta do carro pra eu entrar, passear de mãos dadas, de braços dados. Perguntar se eu estou bem, o que gostaria de fazer. Quero retribuir como uma verdadeira mulher, em carinhos e ouvidos. Respeitar e deixar fluir a poesia da delicadeza feminina. Desentender e saber reconciliar, ter sensatez e aprender, dia a dia, a trocar benefícios no relacionamento. Ceder e pedir. Equalizar, normalizar. No normal da história, depois de muito namorar: casar.

Não sei se é você ou não. Não sei o que pode acontecer ou não se um dia você ler essas linhas atormentadas de puro jeitinho humana de ser, de querer progredir, de querer carinho e companhia, de querer apenas ser feliz. Também, é só um texto. Ou melhor: é "O Texto". Porque toda vontade que tenho é de um dia escutar dos seus olhos a frase: "A partir de hoje eu sou um homem feliz.", independente do jeito que eu faça parte da sua vida. De todas as vontades, a verdaderia vontade mesmo é de te ver verdadeiramente completo e em paz, seja como for.

Bjo no coração,
Manjericão.

PS.: ..."Bom, pra sempre é algo tão distante quanto o pote de ouro do final do arcoíris."... Será que se falássemos que o pote de ouro fica no começo do arcoíris, nós o alcançaríamos?

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Dos deveres, dos direitos e de ser assim

Os olhos vitrificam. No estômago, frio de montanha russa. O sangue esquenta, enraivece, ferve. Instantaneamente congela. Suor frio pelos poros. Mãos geladas, trêmulas. Encosto de espuma vira tábua de carvalho nas costas petrificadas de tensão. Respiração truncada, pequena, travada. Alivia, enche o peito. O fio de naylon prestes a arrebentar volta a relaxar. Essa tensão é apenas uma das inúmeras esquemáticas da montagem. Montar é enganar os olhos, controlar as batidas do coração alheio, levar um bando de gente a sentir medo, pavor, alívio, tristeza, suspense, indignação, paixão, amor. Montagem é a técnica rítmica de traduzir idéias, concretizar histórias.

Todos temos o princípio da montagem impregnado em nosso ser. Como breve e importante lembrança, temos o Pai Cinema, com mais de 100 anos de história. No começo, puro caráter documental. Evolutivamente, contando histórias fictícias ou em forma de denúncias. Ali surge a arte de editar, montar, colar cenas. Os acessíveis programas de TV foram os primeiros contatos da "geração coca-cola" com a edição. Seja qual for o seu gênero: varejo, jornalístico, entretenimento ou variedades, as pessoas assistiam imagens montadas, mesmo que nem atentas à existência da montagem. Era tudo lata de feijoada: a mistura já nascia pronta na prateleira do mercado - basta abrir, esquentar e pronto. No caso, só levantar do sofá e apertar o botão "liga/desliga" da TV. Nos anos 2000, a "geração YouTube" veio como tsunâme - tanto na variedade de linguagem quanto na facilidade da assimilação dos gêneros de montagem. Pluggins e softwares baratos ou gratuitos popularizaram o acesso as mídias, e as pessoas começaram a brincar de montar imagens pra aparecer na internet. Hoje, no cacoete da "tecla del", tentamos editar até nossos rotineiros afazeres, cortar cenas de nosso dia-a-dia pra poupar tempo, dinamizar idéias. Como gostaríamos que certos desastres pessoais fossem sepultados na lixeira de uma ilha de edição, sem chance de recuperação dos dados! Quantos making ofs tragicômicos!... E nesse "bololô", eis que surge o super editor de imagens, ou simplesmente montador.

Editor não cansa - ou não deve se cansar - de ver cenas que dali há 4 dias serão apagadas do HD da ilha de edição e, intemperivelmente, da sua própria memória temporária cerebral. Editor viaja o mundo inteiro no widescreen. Desenvolve curiosidade, senso crítico, perfeccionismo: vira um observador chato. Em sua maturidade profissional, tranquiliza-se, e nessas horas vê no erro, o acerto da beleza. Editor chora de emoção. Admira-se pelos frames de distração que imprimem a face mais sincera das pessoas, ganha presentes diários de brilhos nos olhares e sorrisos tão espontâneos e distraídos que, se percebessem estar sendo captados, esconderíam-se de vergonha. Editor que sente mais do que normalmente sente, arrepia-se com melodias e rítmos, e deixa vir a tona o batuque ancestral primitivo que extrapola o instinto emocional. Esse instinto está presente em qualquer homo sapiens sapiens.

Apesar da solidão, é preciso ser sensível pra montar. É cuidar das pessoas. É ter ética pra manusear a verdade e os fatos. É preservar identidades, de modo certo ou não. É, por vezes, ocultar aquilo que não é agradável de se ver. É tomar posições morais de acordo com sua conduta pessoal: isso faço, isso não. E sempre vai ter um que faz porque gosta ou, na maioria das vezes porque precisa, por ataracsia, por ser puramente profissão. É preciso ter delicadeza, ser cordial, ter ciência da responsabilidade que se tem nas mãos, e literalmente nas mãos. Para um convicto editor, é impossível saber tudo o que existe sobre edição. Sempre haverá um jeito reinventado daquele que todo mundo um dia imitou, talvez uma nova linguagem, certamente um novo software, pluggins, ferramentas mil pra divertir montador igual brinquedo novo de criança. Ficamos brincando por horas: em turma ou sozinhos.

Montador não regride, montador estagna. E mesmo que não queira, ele certamente evolui a cada trabalho, porque não existe trabalho que não o ensine: seja aquele institucional do diretor estreiante, o videoclipe do diretor veterano ou o bendito curta do diretor estudante. Mesmo que seja o mais fácil VT, o mais singelo corte. Editor aprende técnicas, aprende respeito, aprende a admirar e apreciar soluções simples que ele nunca pensara em executar. Editor aprende que sempre existe um novo caminho, e aprende a aprender, aprende a humildemente receber conhecimento.

Montador de qualquer imagem cuida do que faz como se fosse um membro da família. Não raro, toma o papel de pai ou mãe. Outras vezes, apenas de cuidadoso obstetra, ciente dos riscos e das maravilhas da profissão. Montador é psicólogo: cuida da equipe enferma, do diretor desesperado que vê o filho doente, do diretor consciente que volta no final do dia pra buscar o filho já com psiquê definida. Montador vê, revê, escuta, "tre-escuta", remonta, coloca imagem pra lá, volta imagem pra cá, experimenta, sente, surta, se ausenta, volta, se revolta, insiste, as vezes chora, reaprende a ter paciência, pede ajuda aos companheiros, pede ajuda aos céus. Editor fica nervoso com os erros dos outros, nervoso com os próprios erros!, xinga aos ares, xinga a máquina, xinga a cadeira, xinga a equipe, se xinga!, grita contidamente, estravaza pelos dedos nervosos descontando fúria no teclado, passa raiva mesmo! Porque as vezes não tem jeito, e vai do jeito que está. Outras tantas, depois de todo esse sofrimento imaturo, e já em seu estado humano normal, respira fundo, e expreme o bagaço da massa encefálica mais algumas vezes em busca de solução. Tudo porque lembra e sabe que não é só ele quem está ali entre 4 paredes, lutando com uma tela de computador. Ele é apenas a ponta da corda, que já foi trançada pela luta de uma equipe que se doou pra fazer o que chegou em suas mãos. Então, editor vira semideus: ajuda, erra, acerta, conserta, salva. Pári. A estatística é de 90% suor, 8% criação espontânea, 1% inspiração sublime, 1% sorte.

Editor erra, porque editor é humano: come, toma banho, gosta de ver a luz do dia, o brilho da lua e das estrelas - afinal, "existe vida fora da ilha". Editor não é Deus, não opera milagres. Milagre é a satisfação em sorriso no rosto do diretor. Milagre é a lágrima do personagem mais simples de uma história na tela, é a platéia quando estravaza reação. Milagre é o abraço sincero depois de uma tarde de edição, sorvete e histórias. Milagre é fazer amigos, estabelecer laços pra muito além das 4 paredes de uma ilha. E mesmo com tudo isso, editor que é editor de verdade já entrou em conflito pessoal, vontade de largar tudo pra cima e mudar de país, de cidade, de profissão. Editor de verdade desiste de editar pelo menos uma vez na vida, vai trabalhar de garçon, vai prestar concurso público, virar vagabundo, mochileiro na Europa. Mas esse editor, que é o editor de verdade, depois de rodar o mundo, sente falta dos drops, não suporta o aperto no coração de tanta saudade da ilha, dos problemas, do requiém vai e vem da música em reverse, dos amigos. E ele volta a editar, duplamente apaixonado. Porque na vida de um editor de imagens sempre haverá espaço pra uma - ou apenas mais uma - crise existencial, e ele sempre vai voltar, porque ama o que faz. Simples assim…

(Querido amigo Bruno Corteze, obrigada por ter colocado-me carinhosamente nessa deliciosa roubada. Sem ela eu não teria a minha coleção em crescimento cúbico de cabelos brancos, várias realizações pessoais e incontáveis alegrias. Em abril de 2010 serão 10 anos de muitos cortes e histórias. Até hoje guardo com carinho as noites viradas dividindo o mesmo colchão e as conversas entre "renders" executados por um G3 Blue da Apple, de processador 400Mhz, 30 GB de HD e 500MB de memória RAM, utilizados exclusivamente para o "FinalCut Pro 1.0". Muitas histórias. Muitas "cooombis" e muitos "não enche bicicleta!". Muito respeito. Obrigada por tudo. Meu melhor e mais sincero abraço, Lika Nóbrega.)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Utilidade pública do coração


1998, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Católica de Goiás. Na lista de chamada: Alessandra, Alejandro, Aline, Ana Paula e por aí vai. Nomes que não faziam parte da minha vida, salvo exceção de dois: Paula Renata e Carmem, geniais mulheres que estudaram comigo no ensino médio. De resto, calouros tímidos afogados em expectativas como eu. Com o tempo, o convívio "encorosado" nas aulas de CRIA (Criatividade Aplicada na Arquitetura) dava cor, tom e rusgas às personalidades que se revelavam.

Com o Alê foi amor e ódio a primeira vista. Excelente companheiro de trabalhos em grupo, aluno exemplar na sua genialidade daltônica, expressava formas com tamanha facilidade que eu não entendia: nem com facilidade e nem a facilidade das formas. Saida Cunha, artista plástica goiana - uma das pioneiras da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UCG, era nossa orientadora favorita, assim como de todos os alunos da FAU. Todos (literalmente) conheciam suas canetas e lápis desorientados, atormentados!, que agregavam frenéticos círculos, piruetas, setinhas, linhas e pontinhos borrados nos desenhos encapados de melindres e inseguranças. Saida resplandecia - mais do que o seu já normal jeito resplandecido de ser - a cada prancha que o Alejandro genializava em rabiscos, sem deixar de agregar os dela, lógico... E fomos ficando mais próximos, eu e o Alê, talvez ligados pelo mesmo sentimento infantil - e hoje engraçado - de invasão dos alinhavos carinhosos e fundamentais da Saida. Fomos assim nos abrindo, o Alê e eu, entre compassos e nanquim, entre maravilhosos e inesquecíveis bifes acebolados de Dna Glécia e a turma de Lívia, Alessandra, Simone, Silvinha, Fabiane, Fábio, Fabrízio, Karla, Germana e outros tantos querid@s colegas. Por mais próximos que estávamos, tinha a distância, um não sei o quê mal resolvido inexistente, ou uma bobeira mental qualquer que a gente costuma fermentar pra nos atrapalhar a visão. Aí, um dia, o Alejandro foi fazer aulas de AutoCad14 com o meu pai. Paixão a primeira vista: dois carecas com humor ácido e pateta, entre (e)rase+enter e (t)rim+café.

Nessa época, eu já tinha largado a faculdade, e voltamos a nos encontrar - agora sem as barreiras dos trabalhos semi-profissionais que o curso nos instiga. A cumpliscidade fluiu. Fluiu tanto que é bom e necessário contar com o sigilo das garrafas vazias de Martini Bianco (nossa, nós tomávamos isso?!?!) e das paredes da minha primeira casa alugada. Excetuando os gravadores de mídias portáteis, os papéis, lápis e afins, se você quer contar um segredo, conte aos objetos: eles nunca revelarão a ninguém (sério?!? rss...). E dali pra frente, só festa.

Com honra, participei da diagramação do TG de Lelê, e tantas e tantas e tantas coisas que só mesmo o carinho do tempo pra conservar frescos esses momentos na nossa sentimental memória. Ele formou-se, eu fiquei pra trás. Seria uma honra me sentar ao lado dele na colação de grau, mas não tive esse prazer... Fiz, então, companhia aos amigos e familiares. Linda festa!...
E lá se vão 11 anos de convivência, respeito e sinceridade mensurados por uma equação em PG na razão do tempo.

Atualmente, o Lê está realizando mais um sonho. Aliás, penso que não somente um sonho, mas o primeiro traço firme de um dos seus objetivos de vida. Acredito que as coisas acontecem na soma de nossa parte com a do Sr. Tempo conspirando a nosso favor, ou tudo isso pela metade, porque temos pressa. Note: o Tempo sempre está a nosso favor, nós é que vamos contra ele. Um dia absorveremos que o Tempo é quem traz a maturidade. Hoje, o Lelê está com tudo ao seu favor, e sinto-me felicíssima por ele com este pequeno e importante passo. Agora, é deixar fluir...

Meu sincero e melhor abraço ao insubstituível amigo Alejandro Zenha, em delicadas pinceladas de sucesso, sorte, saúde e prosperidade nessa sua primeira exposição; e é com prazer que convido todos os que agora saborearam um pouco da nossa história. Posso garantir que os vermelhos daltônicos alejandrianos são tão intensos quanto os matisses! Já falando por ele, certamente é um privilégio mostrar aos olhos do mundo, um pouco dos "lugares (in)possíveis" que existem dentro dele. Espero te ver por lá!

Bjos temperados.


PS.: Para visualizar melhor as informações de local e data, clique na figura. Obrigada.


quarta-feira, 2 de setembro de 2009

9 Decênios - Bôdas revolucionárias de álamo


2009

10 anos de emancipação do Timor Leste em 27 de agosto.

20 anos da eleição presidencial de Fernando Collor de Melo em 17 de dezembro.

30 anos de sansão da Lei da Anistia no Brasil em 28 de agosto.

40 anos do homem na Lua, em 20 de julho.

50 anos de Revolução Cubana em 26 de julho.

60 anos da Revolução Chinesa em 1º de outubro.

70 anos de 2ª Guerra Mundial em 1º de setembro.

80 anos da quebra da Bolsa de NY, que iniciou a Crise de 1929 em 29 de outubro.

90 anos do primeiro voo sobre o Canal da Mancha (FRA/UKG) em 25 de julho.

terça-feira, 28 de julho de 2009

O avesso do avesso do avesso de 24 / jul / 2009

Você não é aquela atriz da novela, do cabelo curto?!? Foi a primeira frase que escutei do morador da cidade, devidamente mascarado por causa da Nova Gripe. Desembarquei numa das entradas da Estação Luz do Metrô, com minha mala mais parecida com um elefante: grande e pesada. Trôpegamente, cruzamos a rua. Nem deu tempo de abrir a sombrinha que estava pro cima de tudo, dentro da bendita. Droga, molhei minhas botas! Novinhas..., pensei. O chuvisco encaracolou imediatamente meus cabelos maquiados pela prancha alisadora que somava no peso da mala. Logo o tiozinho do taxi buzinou. Fiz sinal. Ele encostou. Entrei. Assim aconteceram meus 15 segundos de fama. Confundiu-me. Quem sabe, parou por um autógrafo que imaginou estar prestes a ganhar, ou pelo prazer de carregar celebridades. É: se foi por isso, o tio dançou... Tudo por causa do chanel...

- Bom dia!... Por favor, Av. Nove de Julho, 1164, próximo da Avanhandava, sentido Centro/Bairros, no Bela Vista...

Vriiiic, shooop... O discreto limpador de párabrisas acenava pausadamente pra paisagem que tanto tive saudade. Vriiic, shooop... Nos 15 minutos de trajeto - regado a chuvisco que antes era garoa - e outros tantos pares de parabrisas viajando em rítmo intenso, saí da Luz direto pra casa de meu pai.

- Guria, vem de onde?

- De Goiânia.

- Ah! Você pegou aquele ônibus dos sacoleiros!.. que para ali no Bom Retiro... Certo?

- Esse mesmo, peguei sim... É mais barato, bem confortável, e chega rápidinho. Os outros fazem muitas paradas, e tals... eu não gosto. Nas férias não tem promoção de passagem de avião! A gente tem que se virar, né...

- Vriiiic, shooop...

- É, verdade... Eu por exemplo, adoro passear por terra... Nossa, pra mim é a melhor coisa que existe! De onde eu vim, a paisagem é totalmente diferente! E dá prazer em sair de ônibus. Mas de lá de onde tu veio pra cá deve ter muita coisa interessante também! Eu prefiro!... Se bem que ultimamente não tenho nem como viajar. Tô trabalhando bastante, né. Faça chuva ou faça sol! Aqui taxista corre a cidade toda, e se não correr, não come! E olha esse horário!: 8 horas da manhã e já tá desse jeito! Não aguento mais isso daqui! Olha só, guria! Olha isso! Eu!? Eu só trabalho a noite! Essa cidade é um terror! Olha esse túnel! Não aguento mais! É carro demais, moto demais, ninguém respeita ninguém! Um horror! Lá na minha terra?! - eu sou do Rio Grande do Sul, de uma cidadezinha do interior, perto de Porto Alegre... Então, lá na minha terra não tem isso daqui não! Imagina!!! Meu filho?!... Meu filho sempre foi responsável no trânsito! Como a cidade, que era antes menorzinha do que hoje ainda é - meu filho dirigia pra mim pra todo lado com 15 anos de idade! Naquela época era tudo diferente, não tinha essa coisa de fiscalização. Ele ajudava nas contas de casa, sempre foi responsável - nunca aconteceu nada com ele! Ele trabalhava no restaurante que a gente tinha, levava comida, trazia as compras, fazia entrega pros clientes e ficava tudo certo! Aí depois tirou carteira e hoje trabalha em Porto Alegre. Tá casado, já... Mas naquela época, não tinha isso daqui não! Olha que absurdo! Que absurdo! Não... Eu?! Eu vou voltar pra minha terra! Sou taxista porque não tinha outra coisa pra fazer! E eu só trabalho a noite! Você deu sorte de ter me pego na rua a essa hora, porque minha mulher toma Rivotril... Já ouviu falar de Rivotril? Eu tenho que tá lá na farmácia as 8h! Já tô atrasado, mas daqui a pouco tô indo pra lá. Eu tava a caminho mesmo... Se bem que é lá na Zona Leste, a farmácia. Tem que pegar a guia, uma fiiila, uma complicação só! Você toma Rivotril? Não, né?! Minha esposa toma! Eu já tomei também, mas parei. Senão, deu 7 horas eu já tô dentro de casa, descansando! De noite? É beeem diferente! Dá pra passar nas ruas, fica tudo vazio. Aí sim é bom!... Nossa, eu fico louco com isso daqui!... Louco!... Esse carro aqui já foi pros cobres! Amanhã eu pego a papelada no Detran e passo minha concessão de taxi que já foi vendida pra um rapaz aí... Só tô esperando a papelada ficar pronta pra eu passar ele pra frente, pegar o dinheiro e voltar pra minha terra, meu lugar... ... ... Pois é...

- Vriiiic, shooop...

- ...

- Vriiiic, shooop... ... ... Vriiic, shooop...

- Então tá, guria! 12 reais!...

Peguei minha companheira de quase monólogo pelas mesmas alças, dei o trocado pro tiozinho e saltei.

- Muito obrigada, tio! Bom descanso, e vai com Deus...

Enfim, Sampa.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

A segunda marca no espaço, há 12 anos atrás

20 de Julho de 1969, Neil Armstrong dá o primeiro passo na Lua. Irônico usar os pés quando o sobrenome é "Braço Forte". Não menos úteis, esses braços hastearam a bandeira dos EUA, suspensa por um arame pra ficar a mostra. Tudo bem que os EUA estavam no direito de colocar sua bandeira, já que o mérito de pesquisas e esforços (idôneos ou não) foram deles. Mas poderiam ter sido mais democráticos, ido além da frase representativa "Um pequeno passo para o homem, mas um grande para a Humanidade", e levado, além da americana, uma bandeira mundial. Aliás, seria uma boa idéia pra nos tornarmos uma Nação Terra, e realizar as tarefas Humanitárias que são levadas com a barriga. Tomara que aquele pedaço de pano azul, branco e vermelho tenha desbotado, alvejado pelos mesmos raios que nos dão o dia em nosso Planetinha. Aliás, seria essa a cor da verdadeira bandeira da Humanidade pra, respeitosamente, pisar em qualquer lugar do infinito: BRANCO. E dane-se a semimorta Gerra Fria.

Com a moda de só falar no passo do Arsmstrong e o frisson do "homem" voltar na Lua daqui 11 anos (pra certamente trocar a velha e desbotada bandeira), lembrei-me da descoberta do solo marciano. O nosso satelitezinho romântico, 4 cm mais distantes de nós a cada ano que passa, hipnotiza os humanos de tal forma que faz concorrência ferrenha com o nosso vizinho dos habitantes verdes, e os deixa comendo poeira cósmica. Vez ou outra, ainda chamam a atenção. Há 12 anos, em julho de 1997, a NASA mandou um pequeno robô controlado por ondas de rádio pra bisbilhotar nosso vizinho - supostamente desabitado. Coisa de vouyer (risos)...

Eu cursava o Ensino Médio, chamado na minha época de Segundo Grau (e não acredito que usei a expressão jurássica a-lá pais e avós "na minha época"). A TV ainda era tudo! Nem sonhávamos com banda larga pra transmitir o Fantástico ao vivo com tanta facilidade. E como num flashback de meus pais, era eu quem via pela telinha (na Rede Globo - Plim Plim!), a sonda americana explorar o solo avermelhado de Marte com uma camereta de imagens preto e branco, acomplada no robozinho.


Julho, tempo de fazer nada... Todo mundo nem aí pras notícias! Em agosto, em procedimento padrão, a Professora de Redação pediu uma crônica dos acontecimentos mundiais nas últimas férias mais felizes de nossas vidas - precedentes a vestibulares, faculdade, mercado de trabalho e contas, contas, contas...

Sempre gostei de crônicas. São versáteis, não é preciso prender-se à ordem quadrada das palavras. Pra mim, a crônica é a crítica bacana. Cai como luva pro meu humor agridoce. Descobri a crônica em 97...


Goiânia, 07/08/97
Colégio Pré-Médico
Aluna: Aline Nóbrega Costa - 3ºB - nº 03

Redação

Redija uma crônica com o seguinte tema: "Coisas de Julho".

"Coisas de Julho"

Julho passou tão rápido quanto a explosão no avião da TAM e mais agitado que a greve dos PMs.

Um meio de ano de fim de século pra lá de avançado: útero artificial que deu a vida a um cabritinho, robô que parece gente - empurra carrinho e anda sozinho; sonda que chega quicando em Marte, empaca na "Zé Colméia" e dança ao som de um samba de Beth Carvalho. Julho que andava em crateras - não as da Lua, e muito menos de Marte, mas as da BR-153, que será finalmente duplicada.

Julho caribenho quente com direito a muita lava e nuvens de fumaça pra estragar a festa dos turistas.

A Dna. Morte veio nos "presentear" com um mercado em Jerusalém salpicado de pedaços humanos e um estilista que lavou as escadas de sua casa com sangue de sua cabeça cheia de idéias para vestir mulheres que, não menos inteligentes, têm 4 bilhões de neurônios a menos que os homens.

Chê-Guevara finalmente foi encontrado, ou pelo menos o que restou dele - arcada dentária perfeita, mas sem as mãos que revolucionaram Cuba.

Na política, muito bafafá: BC muda de chefão e Íris Rezende é proclamado, ou melhor - jogado no Ministério da Justiça, e depois de uma frase memorável é recebido com toda atenção por FHC. O nosso Presidente também foi lembrado nas férias, e recebeu um belo protesto em Brasília: MST, PT e Metalúrgicos em Geral, além de outras classes "prejudicadas" tentaram por abaixo o nosso diplomata neoliberal.

É, julho passou, mas as consequências destes acontecimentos ficaram e marcaram o Julho de 97. Que venha o de 98!!!

A redação foi lida na sala de aula, recebeu elogios da bendita professora que eu esperava lembrar de seu nome até o final desse post - mas acabei não lembrando (algo como Nilza, Nilda...). Eu, roxa de vergonha, peguei a redação, guardei no caderno. Quando cheguei em casa, coloquei-a num envelope. É um dos objetos de apego em meio a papéis de bombons e bilhetinhos juvenis. Levarei-o pela vida. Também pelos elogios da professora, mas principalmente por ter sido a primeira crônica desde que me entendo por digitadora com desfunção tecladiana (apelido carinhoso que ganhei de um conhecido...).


Não sou muito adepta a homenagens àqueles que não conheço. A humildade coloca-me no meu devido lugar. Quem sou eu pra fazer uma honraria a uma grandiosidade dessas? Penso que homenagem é algo um tanto pessoal pra fazer a pessoas ou fatos distantes do meu alcance de ação. Mas desta vez, senti-me na liberdade de colocar aqui a minha primeira crônica como mais uma lembrança aos 40 anos do Homem na Lua, apenas pelo fato de há 12 anos atrás, na mesma época, os americanos terem rompido maiores distâncias espaciais, e ninguém se lembrou... Apenas isso...

Bjos temperados,
Lika

PS.(que parece ter virado tradição deste blog...): Em Julho de 98, o Brasil Perdeu a Copa da França para por 3X0 para os donos da casa. Feliz julho para a França, triste julho para nós. Enfim...

Para o verdadeiro meu amigo de hoje e aos futuros que hão de vir


E agora, certamente, já se vão seis anos... Jamais contara essa história. Os camaradas ficaram contentes de ver-me são e salvo. Eu estava triste, mas dizia: É o cansaço...

Agora já me consolei um pouco. Mas não de todo. Sei que ele voltou ao seu planeta; pois, ao raiar do dia, não lhe encontrei o corpo. Não era um corpo tão pesado assim... E gosto, à noite, de escutar as estrelas. Quinhentos milhões de guizos...

Mas eis que sucede uma coisa extraordinária. Na mordaça que desenhei para o príncipezinho, esqueci de juntar a correia! Não poderá jamais prendê-la no carneiro. E eu pergunto então: "Que se terá passado no planeta? Pode bem ser que o carneiro tenha comido a flor...".

Ora eu penso: "Certamente que não! O príncipezinho encerra a flor todas as noites na redoma de vidro e vigia bem o carneiro...". Então, eu me sinto feliz. E todas as estrelas riem docemente.

Ora eu digo: "Uma vez ou outra a gente se distrai e basta isto! Esqueceu uma noite a redoma de vidro ou o carneiro saiu de mansinho, sem que fosse notado...". Então os guizos se transformam todos em lágrimas!...

Eis aí um mistério bem grande. Para vocês, que amam também o príncipezinho, como para mim, todo o universo muda de sentido, se num lugar, que não sabemos onde, um carneiro, que não conhecemos, comeu ou não a rosa...

Olhem o céu. Perguntem: Terá ou não terá carneiro comido a flor? E verão como tudo fica diferente...

E nenhuma pessoa grande jamais compreenderá que isso
tenha tanta importância!


Esta é, para mim, a mais bela paisagem do mundo, e também a mais triste. É a mesma da página precedente. Mas desenhei-a de novo para mostrá-la bem. Foi aqui que o príncipezinho apareceu na terra, e desapareceu depois.

Olhem atentamente esta paisagem para que estejam certos de reconhecê-la, se viajarem um dia na África, através do deserto. E se acontecer passarem por ali, eu lhes suplico que não tenham pressa e que esperem um pouco bem debaixo da estrela! Se então um menino vem ao encontro de vocês, se ele ri, se tem cabelos de ouro, se não responde quando interrogam, adivinharão quem é. Então, por favor, não me deixem tão triste: Escrevam-me depressa que ele voltou...

O Pequeno Príncipe
Antoine de Saint-Exupèry


Não li o livro, mas me apaixonei pelo Principezinho na Sessão da Tarde. Nas férias de 1988, assisti pela TV a mais sincera história de minha vida. Talvez por isso eu dê tanto valor na amizade. Para uns, a família é mais importante. Sim, não estou discordando do valor imensurável da família. Família é família e não tem quem a substitua! Mas pra mim, a amizade tem tanto valor quanto, principalmente quando ela é na forma literal da palavra.

Tem amigos de todos os tipo: de bar, de balada, amigo-romance, com defeitos, com muitos defeitos, com qualidades, com muitas qualidades, amigo metade, amigo traíra (amigo?!?!), amigo palhaço, amigo FDP, amigo sumido, amigo (eterno e fiel) de 4 patas, amigo de informações, amigo só pra dizer que é amigo e contar papo pros outros não amigos, amigo do coração, amigo de brigas, amigo de internet, amigo que se mudou e continua do mesmo jeito mesmo com a distância, amigo de ano em ano, inimigo ex-amigo, amigo ex-inimigo, ex-amigo que não virou nada, colega que poderia ter sido amigo, e haja variações de graus da amizade. Pra mim, amigo é amigo e pronto! O que não é amigo é conhecido, colega, pessoa querida...

É para o amigo que eu confidencio, me derreto em lágrimas, não tenho melindre, admito minhas vergonhas, não tenho pudor de dizer que não sei, peço emprestado, peço ajuda, abuso e recompenso. É pro meu amigo que faço doações incondicionais de tempo e espaço assim que ele necessite. É pra ele toda a minha sinceridade, minhas verdades, meu carinho eterno, minhas orações mais luminosas, meu pensamento constante. Dono de terreno lavrado, escriturado e instransferível no meu coração. Ele tem o meu respeito interino. É recíproco a privacidade de sentimentos, a linha de conforto respeitada - tudo aberto na medida certa. Natural como deve ser, o verdadeiro amigo sente as necessidades e belezas da amizade exatamente como você. Pode até torcer pro Corinthians, e você ser Palmeirense. No dia do confronto, vai estar tudo em paz. Posso não entender ou aceitar a forma como meu amigo às vezes leva a vida, mas respeito, assim como quero ser respeitada. E crescemos juntos. (Chegará ainda o dia em que eu sentirei tudo isso por qualquer desconhecido por todos os dias seguintes. Aí, sim, eu posso ir pro Céu!...)

Amigos podem ser completamente diferentes, e se darem tão bem como nenhuma outra relação pessoal da sua vida poderia ser. Tudo porque essa sintonia é perfeita, e mesmo diante das diferenças, é igual o modo deles de sentir e viver a amizade. Na minha vida, meus amigos podem ser contados nos dedos de uma mão, mas preenchem todos os dedais do mundo!

Nesse dia 20 de julho - Dia do Amigo no Brasil, chuva de luz a todos os amigos!, e desejo essa magia àqueles que ainda não descobriram essa verdadeira cara metade.
FELIZ DIA DO AMIGO!

Bjos Temperados,
Lika


PS.: Pra quem tem saudade da Raposa do Pequeno Príncipe, deixo o trecho que dá a receita de como cativar alguém!...
(YouTube) O Pequeno Príncipe e a Rapoza

sábado, 18 de julho de 2009

De fogo, de cinza e de bálsamo

Morreu.
Uma Fênix.
Acabou de morrer...
...
... ... ...
E agora outra...
... ...
...
E mais outra, neste instante..
Fogo me queima, fogo me cinza, fogo me luz.

Nos seus lugares, renascem elas mesmas, em forma de filhas. Sempre há perfume de bálsamo e mirra espalhados pelo ar enquanto as cinzas percorrem o espaço até seus destinos.

Não sei se só os humanos tem a capacidade de atribuir fatos e meios aos símbolos. Romantismo exacerbado, romantismo delicado, fé superficial, crença fundamental pra seguir em frente. Um quê de magia sempre pairou no ar inspirando nossas histórias, tão capengas que cedo ou tarde vira tudo grosseira ilusão de mágico amador.

Fato mesmo é viver o roxear invisível do joelho a cada tombo, sentir o calor e o visco do sangue transparente a cada covarde punhalada verbal pelas costas. A cada flor recebida, a cada gesto de ajuda, mão extendida. A cada alto e baixo, saber que tudo continua, saber continuar. Vale renascer, manter a essência, e começar de algum ponto a frente do relativo zero absoluto. Como espiral: partir sempre duma medida acima do ponto de partida da volta anterior. Maior será a força da gravidade: medida justa da bagagem que acumulamos, determinante da velocidade de outros 360º: constante, inconstante, inexistente...

Papo volátil: serve só pra pensar em semi-tudo ou quase-nada enquanto a vida lá fora, enquanto a vida aqui dentro! - corre como água de rio, voa como vento, continua como a Terra, a rodar, voltar, rodar...

Recomeçar...

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Até enquanto durarem as células

Mesmo no frenesi automatizado do dia a dia, estamos mergulhados em arquétipos e tradições. Não só as tradições: também as benesses que faziam mais parte da vida de nossos avós do que das nossas. Esquecemos há muito tempo que é gostoso espreguiçar ainda sentados na cama ao acabar de acordar: 10 segundos que os músculos e o bom humor agradecem! Esquecemos de dizer bom dia com a verdadeira afeição de Bom Dia: o cumprimento virou parte do ritual de descer de elevador, sempre antes de apertar o botão do sub-solo. Alguém aí, quando chega em casa depois de perambular pra cima e pra baixo pela cidade o dia todo, ainda faz uma merecida automassagem nos pés e panturrilhas? Não!!... Onde está o velho e bom costume da vovó de lavar as mãos antes de qualquer coisa, até mesmo de passar a mão nos olhos?! Não sei! Ninguém viu! Sumiu... Nem ao menos lembramos de lembrar que isso ainda existe...

Só em momentos com pessoas naturalmente especiais é que detalhes interessantes e perdidos no tempo vêm a tona.
Simoninha é uma dessas pessoas que exalam luz: no jeito de falar, de olhar, sentir, viver. O mundo está desabando e seu otimismo lá: inabalável. Eu chamo isso de fé. Ela também. Simone parece um bichinho-preguiça: pacieeeente... Tão paciente que, em alguns momentos, tira fácil a paciência de qualquer monge tibetano! Em compensação, se ainda não tivessem dito que a pressa é inimiga da perfeição, certamente teriam nela a inspiração pra falar tamanha sabedoria. Viver momentos ao seu lado é sorver carinhosamente cada delicadeza que a vida nos oferece a todo instante, normalmente atropeladas em nome da "eficiência".

Estávamos no processo final de legendagem do Ecléticos Corações. Como boa produtora e diretora, responsabilizou-se por comprar as mídias que precisávamos pra enviarmos o curta ao Festival de Cinema Brasileiro do Canadá. No trajeto de sua casa até a loja mais próxima, atravessamos avenidas caóticas debaixo de um sol de fritar ovo no asfalto. Eram 15hs, horário muito "agradável" pra caminhar no centro de uma capital do Centro-Oeste.

Ah! O Calor Goianiense... Seco! Ventinho empoeirado. As paredes ficam tão quentes que bafejam pra qualquer atrevido que a faça de encosto. "Olha a água Mineral! É geladinha! Quem vai querê?!? Leva duas! - é três reauls!" Água de côco - gelada! Aos "formigas", caldo de cana - moída na hora, com muitas pedras de gelo! Sorvetes?! Derretem! Um caos!... Nessas horas, nada como uma sombra de árvore - daquelas que ainda sobraram no centro da cidade, ou a de uma marquize virada pro sol nascente. Por aqui, sombra virou sinônimo de fugir do sol: salvar a pele... E todo mundo fala da sombra da árvore, do poste, do guarda-sol do moço do picolé. Sombra de tudo! Mas ninguém: Ninguém! - lembra da própria sombra...

Companheira de todas as jornadas, desde o primeiro berreiro ao suspiro fatal, noite e dia. Surda e muda. Gooooorda, magriiiinha. ALTA, baixa. Pregada no pé. Desvalorizada, disforme, maleável... Sempre a lamber ruas, camas, calçadas. Toda roupa é roupa igual: cinza. Solitáááária... "Ô dó!"... A não ser que encontre com outra amiga! Aí sombra abraça, beija, ri, se diverte... Tudo do jeitinho dela: deitada em pé.

"Se minha sombra falasse..." Dela, não tem jeito de esconder: nem no escurinho do cinema! Mesmo no quarto em breu, tão negro a ponto de não conseguirmos enxergar o próprio nariz, certamente ela está lá, camuflada de preto. Ou talvez ali seja tudo ela: nós é que viramos sombra da própria sombra. Pros filmes? Onipresente: ora a ser exterminada por toneladas de lúmens, ora atriz principal -
a predileta de Hitchcock. A mais bela passa por paredes com maestria. Borda rendas, pinta desenhos, descortina emoções. Compacta ou fina penumbra: depende do diretor. Sim! - é ele quem manda! Mas acima de tudo, sombra tem que ter o timing, o feeling de provocar arrepios. E a gente?!... "Nem tchum" pra ela!... Só lembramos da bendita quando um incoveniente qualquer nos segue pra lá e pra cá. Sombra vira sinônimo de chatice. É. Sómos muito mal agradecidos mesmo...

Nessa de esconde do sol daqui, garimpa mais uma sombrinha dali, eu e Simoninha estávamos no caminho de volta, já com os DVDs virgens na mão. Esqueci do abuso do sol em minhas costas e passei a admirar a companheira: minha sombra. Mais uma vez, serpenteava meu corte curtinho que Simone e Vâninha - O Anjo, tanto gostaram. Foi por causa da sombra sem sombra de marquize que tudo virou vento fresco num instante. Até esqueci que tinha pisado em uma poça de água suja. Simone lembrou-se de um vídeo. Uma criança descobre que a danada da sombra não vai deixá-la nunca. A menina anda o quanto pode, levanta o pé, chora e olha pra mãe. Grita, grita, grita! Tadinha!... Corre mais um pouquinho, e olha lá, a bendita denovo na frente dela - grande! E ela chora! Os pais? A gargalhar! É o que se há de fazer, e nada mais...

Estávamos próximas do prédio da Si, filosofando sobre as simplicidades que estão a nossa volta e não as vivenciamos, como a nossa singela sombra. Não ocupa espaço, não incomoda ou agride, não deixa rastros. Companheira até enquanto durarem as nossas células. "Isso dá um curta, hein!"... E em tempo, a sombra do prédio nos aliviou a pele. Entramos, enfim.

Quanto ao curta, não sei... Só sei que deu um post nesse blog.

Simone Caetano, obrigada pelos doces momentos. Desejo estar sempre contigo, tomando seu ombro para minhas lágrimas, emprestando meus dedos no teclado para cortes e tratamentos de imagens, e presenteando com o meu sorriso os nossos momentos doces. O mundo precisa de mais Simoninhas espalhadas por aí. Só assim o vermelho das flores será vibrante para todos. Obrigada por sua companhia, pela oportunidade de sempre participar de seus projetos, e por cada lição que aprendo quando estou contigo.
Um beijo no seu coraçãozinho,
Manjericão Nóbrega.

PS.: pros curiosos, deixo dois links: O primeiro tem a cena que a Sica lembrou, e que rimos muito quando vimos. É o trecho que tem um letreiro "Com medo da Sombra", em 2min27seg do vídeo de 6min. O segundo link é uma das mais belas propagandas da Wolksvagen, e que me agrada muito - sugestão do Xuxuuu (o Gui, meu irmão - outra pessoa indispensável pra paz no mundo). Espero que gostem!
Beijos temperados!

Youtube - Vídeos mais engraçados

Youtube - Propaganda Wolksvagem (Sombras)

sábado, 11 de julho de 2009

Dedicado a nós (ou) Dedicado a minha mãe

Adolescente dos anos 60, minha mãe colecionava duas coisas: LPs e amarguras. Das amarguras, maiores que espinhas na face, mudanças do corpo, conflitos de gerações. Dos LPs, estilo romântico. As mini bolachas de 4 faixas dividiam-se em dois: The Beatles e Roberto Carlos. Nunca ligou pro Tom e pros Novos Baianos. Só veio a gostar dos baianos quando os caracóis de Caetano platinaram, e educaram-se pelo tempo.

Os vinís ficaram pra trás, muitos sonhos também. No lugar, outros discos não tão melodiosos: a vida dava o tom. Será que por isso, o Jobim não lhe chamava atenção? Não sei. Só sei que um belo dia O Tal do Roberto inventou de fazer um show em Goiânia, e há 5 anos minha mãe realizou sonhos que os disquinhos não levaram.

Era enorme o amontoado organizado de carros e gente na porta do Clube Jaó. A organização era apenas uma questão de educação. Pra todo canto, olhares estrelados. Peguei minha mãe pela mão. Foi a primeira vez em 25 anos de convivência maternal que eu a conduzi. Estava em seu debut: um grande show, um programa mãe e filha, ver Roberto Carlos. Era dela o olhar mais brilhante. Mas mal sabia minha mãe que quem a acompanhava era tiéte moderninha.

Admito: sou Maria-Microfone! Adoro chamar atenção de artista no palco. Já ganhei palheta do Henrique - o tecladista do Skank, baqueta do baterista do Kid Abelha. Me tomaram no tapa uma toalha do Tony Garrido, bem no gargarejo do palco. Estava inclusive com uma excunhada que também irritou-se com o abuso daquela insandecida. Com os anos larguei a adolescência de colecionadora. Fiquei menos cara de pau. Um pouco menos...

10 mil pessoas no show. Até a quarta canção, eram longos aplausos contidos entre uma música e outra, no estilo "fazer o chique". Estava ficando chato. Onde se enfiou a naturalidade das pessoas? Até o Rei estava tímido, um tanto formal com a platéia. A "Maria-Mic" que existe em mim não aguentava mais se esconder. Antes de começarem a quinta música, percebi a luz do público acender, e fiz...

Por impulso, levantei o braço e o sacudi: acenei! A uns 30 metros, lá do palco, o Rei, com o braço esquerdo ainda colado ao corpo, balançou a mãozinha aberta: um tímido tchauzinho com aquele sorriso mágico do "He, he, he... São tantas emoções..." E deu-se o disparo: milhares de gritos histéricos emergiram do mar de cabelos loiros, ruivos e morenos. Eu gargalhei de alegria e surpresa! Dali pra frente, Roberto viu belíssimo jardim de braços em haste, mãozinhas em flôr, unhas esmaltadas em tons bordô e paixão, sacudidas ao ar em esperança. Todo mundo queria aquele meu tchauzinho. E o Rei relaxou.

Em pé, na turma da lateral direita do palco, víamos vez ou outra a figura do Roberto. Não havia espaço. Minha mãe, mais baixinha que eu, sempre na pontinha dos pés, apoiava a mãozinha no meu ombro. Eu a sustentava.
Cantava alto. Rompia 55 anos de silêncio. O cavalheiro Rei dava a ela, a frente no término das canções. Chorou. Detalhes! Belo.

Roberto tem o dom de, mesmo diante de uma constelação feminina, nos fazer únicas, exclusivas de seu carinho e palavras cantadas com tanta verdade. Brasileiro que se preza deve, pelo menos uma vez na vida, ir a um show de Roberto Carlos - nem que seja de Calhambeque! Todo exagero por parte de quem foi é pequeno demais pra tantas Emoções.

Não ganhamos a
valiosa rosa das mãos do Rei, mas guardei comigo para sempre, o melhor perfume da recém-amizade de fé, minha mãe querida e camarada de tantas jornadas. Foi um dos melhores convites de toda a minha vida. Obrigada por tudo, Mãe. Beijos carinhosos da sua filha saladeira e apimentada, Manjericão.

PS.: Hoje Roberto Carlos faz um show no Estádio do Maracanã - RJ, em comemoração aos seus 50 anos de carreira.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Rei Nício



De todo dia, assim que o sol nasce e que de vez em quando a Lua insiste em ficar mais um pouco pra logo mais reiniciar. De histórias de figuras novas de tela de TV, de semi-finda fita digital. De horários pra nova rotina velha. De conhecer companheiros pras novas batalhas velhas. Dos velhos companheiros, pra novos frescores. De conceitos firmes e longínquos, crenças, amores, rumores. De papos, luzes, olhares. De ventos em velhos trajetos. De linhas mascadas ao cansar dos dedos e dos sonhos. Do coração em novo ar de notícias e rítmo. De tudo, ou de nada. Porque nada muda dentro de nós se não quisermos, se não deixarmos. Mesmo o meio da semana vira meio porque dele teve início um sísifo estar. E reina o Rei Nício, fictício onipresente bastardo de Chronos a nos vigiar. É sempre o mesmo com nova moldura até enquanto dure o ressucitar. Dá início ao reinício do meio com ponto final de recomeçar.

domingo, 5 de julho de 2009

Anúncio: PROCURA-SE


PRA ENCERRAR A SEMANA DE SIMPLES PESSOALIDADES...


Ontem, quando terminava o texto "Um sábado", post anterior a esse, enviei-o pra uma querida Menininha dos ZóiGrandi. Acabou que ela também estava numa sensação semelhante. Até brincamos que foi um inconsciente coletivo. Combinamos então, de comer uma torta de frango numa feira tradicional da cidade. Desliguei o computador, coloquei capacete e saí camelando pela noite com a bike branca e vermelha (A propósito, preciso batizá-la, já que faz parte tão intensamente da minha vida... risos).

Eu e Menininha nos reencontramos com saudade, ao melhor estilo de euforia de mulherzinhas: abraços efusivos, sorrisos e gritinhos de Como você tá!? O que tem feito!? e blábláblá... Dado o esquete, fomos atrás da bendita comida, mergulhadas em fofocas sobre o tempo que passou e do que ele nos deixou.

Sentadas à mesa qualquer
de lata, já com nossas tortas de frango com muito queijo catupiri derretido por cima, sucos gostosos e feitos na hora, descobríamos desejos de um assunto feminino quase sempre inevitável: relacionamento. Até comentei: vou postar isso no blog, hein! E no vai e vem de idéias, ela começou a montar o seu homem ideal com tópicos inusitados:

01) Tem que ser cabeludo, daqueles com lisos cabelos bem cuidados, abaixo dos ombros, e também gostar dos meus cabelos cacheados e ruivos.
02) Ter olhinhos puxados, e pode usar óculos pra dar um charme.
03) Tem que ser saxofonista, ou pelo menos demonstrar o interesse em aprendê-lo.
02) Tem que ter altura acima de 1,75m.
04) A faixa etária: entre 25 e 30 anos.
05) Deve ter amigos que eu possa gostar, e também que de mim possam gostar.
06) Pode chegar numa Ferrari vermelha, em vez do cavalo branco. Aliás, cavalo branco já está fora de moda, melhor um corcel negro, daqueles bem reluzentes. Mas esse tópico é dispensável.
07) Tem que gostar de cachorro, especialmente da Mimi, a minha cachorrinha velha e gordinha.
08) Tem que gostar dos meus pais, e que meus pais também gostem dele.
09) Tem que gostar de viajar, e que possa ir até Amsterdã comigo.
10) Tem que entender de cavalheirismo: abrir porta de carro, andar de mãos dadas, deixar-me ir na frente quando se é do tradicional, mandar flores e naturalmente exalar outras coisas relacionadas a ser gentleman.
11) Tem que saber cozinhar, pra poder fazer jantares deliciosos, e saber montar uma bela mesa de café da manhã. E não basta só fazer, tem que saber também lavar a louça e deixar a cozinha um brinco, sem preguiça.
13) Tem que ter uma situação financeira acertada, ou um futuro promissor em andamento.
14) Tem que ter uma boa família.
15) E acima de tudo, me respeitar e gostar de mim do jeitinho que eu sou.

Ótimas risadas, e o tempo passou rápido. Achamos melhor parar por ali com as exigências, e logo o pai dela chegou para buscá-la. Rápido cheguei em casa, com a marcha mais pesada que pude colocar na magrela. Tomei um banho e adormeci, assim bem simples como termina mais um simples sábado.

E eu sei que ninguém está falando nada, mas minha imaginação pra lá de fértil supõe que queira curiar sobre o meu par romântico. Também falamos dele - é verdade, mas esse é um post que prometi pra Menininha. Sobre o que eu quero deste gentleman, o homem dos meus sonhos, fica pra um outro dia...

Bjos temperados!

PS.: A moça da foto do post é a Menininha. Ela autorizou, taí a foto... :D

sábado, 4 de julho de 2009

Um sábado


Na lista de contatos do celular são quase 200 nomes, e nem preciso pensar pra notar que a maioria não tem o prefixo daqui. Há tempos atrás eu me descabelaria, mesmo tendo acabado de entrar na onda deliciosa do chanel.

Hoje o dia foi estranho. Depois de muito tempo, que nem é tanto tempo assim, bateu a mania de uma velha conhecida. Não que somente seja sensação, porque solitária eu sempre fui. São em menor quantidade os momentos de companhia em minha vida. Antes, por opção. Hoje, por falta delas. Aliás, mentira: solitária de ontem e de hoje por falta de coragem de expor a cara a tapa, me jogar ao sabor do vento de novos amigos e amores, como fiz recentemente.

Quanto a amores - um parágrafo a parte, falta pouco pra chegar à conclusão de que quase tudo o que a sociedade me sugere não me serve. É uma roupinha bem apertada - branca saia justa que marca e deixa tudo aparecer, e eu detesto essa maneira de vestir. Penso que devo ter nascido na época errada, ou época certa pra ser quem sou: uma comum maçã na caixa de laranjas. O que quero é apenas um companheiro, sem as vantagens e desvantagens do casamento. Filhos seriam bons, mas meu ideal nunca foi ter herdeiros. Que minha querida mãe me perdoe, mas é a verdade. Bom, quem sabe a vida mude - nunca se sabe. Quem sabe, não. Nem mesmo ainda tenho quem me queira, assim eterno sorriso como sou, no aguardo de viver uma bela poesia. O estar junto envolve a moda antiga, conceitos além idade ou físico escultural, como por exemplo o cavalheirismo e a cultura de cultura, que sei estarem distante do que tenho vivido. Enquanto isso, fico literalmente na minha: vivo-me. Escrevo, edito, pedalo, sonho, moldo-me em felicidade.

Penso que não é perigoso ter manias, até porque sou o que sou, e me respeito assim. Perigosas mesmo são as consequências potencializadas que essas manias trazem. Mania de ficar em casa degustando o silêncio de onde moro, apesar da segunda paralela ser movimentada avenida. Mania de acordar com passarinho bicando a janela do meu quarto. Mania de ver os seus ninhos no pé de jabuticada do vizinho, que tem muro baixinho, sem cobrir o belo róseo pôr do sol. Mania de telefonar sempre pras mesmas pessoas, porque são as mesmas que sempre me escutam. Mania de vergonha de ligar pras novas, mania de pensar o que elas vão achar de um convite meu qualquer, junto com a pior de pensar que elas sempre o irão recusar. Mania de não receber telefonemas apenas pra falar besteira - mas acho que nesse ponto, a culpa mesmo é das operadoras telefônicas de hoje, que sempre colocam tarifas absurdamente altas. Se são companhias de comunicação, que direito elas tem de inverter esse fim, facilitando apenas os abonados de matar a saudade pela distância de quem se quer bem? Duplamente injusto, e ficamos invertidos na solução do nosso dilema.

Mania de querer escrever a respeito das coisas. Mania velha que me faz bem: soltar pelas letras aquilo que me prende. Também larguei a mania de querer prender aquilo que não me serve. Bom, pelo menos tento. Depois de muito tempo, como já disse, senti-me novamente sozinha, um quê de inutilidade grupal. No último mês tudo foi diferente. Tinha uma rotina novinha, com gente por todo canto das 8h as 18h, e voltava pra casa sozinha, com a minha magrela branca e vermelha que nunca me deixa só. Esse foi o primeiro final de semana que não houve mais. Talvez essa solidão seja pela falta do que eu sempre quis, e do que por pouco tive na somatória do tempo. É, pensando bem, pode realmente ser.

Nada comparado a antes, com extremos de desespero desmedido. Também não penso que aceitei simplesmente o fato de ser assim. Acredito que tenha sido um mixto de tudo, desde enxergar verdadeiramente quem sou, lidar com o que sou da melhor forma possível, e encontrar saídas pra carinhosa e calmamente me transformar no que quero ser de melhor pra mim. Apenas me importam as pessoas que verdadeiramente desejam que eu seja feliz. E com todo respeito, dane-se o que pensa o resto do mundo. É mesmo um egoísmo coletivo: se sou feliz, posso dar a todos, bombons de felicidade.

Não tenho pretenção alguma em fazer dessas linhas um sermão de autoajuda. "Não sou nada, nunca serei nada." E estou agora, depois das linhas expostas, mais confortável. Deu vontade de pedalar... É... vou pedalar... São 20h30, o tempo ainda ajuda, e o vento no rosto vai ser gostoso. Não se encomode da forma como saio, assim como quem desliga a TV pelo controle remoto, num corte seco e inexperado no meio do texto da atriz. Mas tenho que ir. Vou à feira. Até mais...

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sexta de cortes


Ensaiava há uma semana. Foi um grande amigo quem me apoiou. Amiga, amigo, não importa. Fato é que ensaiava há uma semana pra dar um bico no meu cabelo. Um não: dois! Por favor, simetria na história, ora bolas... (risos).

O espelho me devolvia a agonia com o corte ainda em boas condições. Concretizavam-se mil balões honomatopéicos de uma frase só: hora de mudar. Por dois dias fiz pesquisa na internet dos curtinhos que sempre quis. "Downloadiei" as inspirações, salvei na memória do celular, marquei hora pra corte e escova, e não via a hora de sexta-feira chegar.

Passei o dia na expectativa. Não consegui fazer qualquer coisa descentemente, competentemente. Almoçar?! Nem lembrei. Só observava aquelas mechas de pontas cacheadas, perdendo a escovinha da noite anterior de gravação dum DVD de serestas. Fiz inclusive uma hidratação em homenagem àqueles centímetros com horas contadas, e ficaram tão macios que tive pena deles, assim tão brilhantes, de nem sonharem que noutro dia a tesoura nos apartaria - para sempre.

Há uma hora e meia antes da transformação eu já estava enfiada debaixo do chuveiro: corto ou não corto!? Ainda há tempo de desmarcar. Eles estão tão macios!... Parece chantagem dos danados que ficam mais bonitos no exato dia em que a gente resolve deixá-los. É sempre assim! Sempre assim! De propósito, só pode!

Donizete é o único santo do Departamento Celeste dos Cabelos a quem confio minhas madeixas. Baixinho, parece um menino. Sorriso sempre aberto. Um gentleman: com as clientes e com as tesouras! Carequinha. Assemelhou-se especialmente hoje, a um personagem do pente dos contos mágicos da Takai, o primeiro de Não subestime uma mulherzinha(*). Nenhum deles precisa desse rótulo preconceituoso e demodê, mas meu cabelereiro trabalha com a esposa: linda e hiper simpática. Excelente casal homem-mulher.

Antes de tudo, mostrei-lhe o dossiê das fotos. Amoladas as tesouras, água fria e shampoo, e depois pra cadeira regulável, que por mais medo que já tenha aconchegado, me abraçou como poltrona de rainha. E dá-li redobradas fofoquinhas de salão: além de Michael Jackson, amenidades sobre a crise financeira e a importância da organização de classes profissionais para um mundo melhor. Cortar cabelo da gente alinhada que frequenta a sua "fofoqueria" é para as duas partes - ele e seus clientes, agradável e vantajoso. Donizete é estudado do mediano Bê-A-Bá, multiplicado por muitos cursos: da vida e da sua profissão. De origem simples, venceu pela humildade. E dá-li tesoura! Juro que nem vi o que estava caindo pelo chão. A vassoura eficiente da assistente levava rápido as sobrinhas. E dá-li tesoura, motor de secador da colega ao lado e fofoquinhas.

Do corte para a escova. E
ntre olhadelas e cochichos no salão, o desenho foi surgindo, lisinho. Enfim, o chanel presenteou o meu rosto almodovariano. E era tanta gente cheia de ÓOOHhhh!... que envergonhei. Olhava no espelho e perguntava como não tinha pensado nisso antes!? Algo que eu procurava, tinha medo e não arriscava, mas ficou tão meu jeito que me assustei. Passei a mão como sempre, só que a mão escapuliu e encontrou o ar das costas. Que estranho, mas gostoso! Ah, Donizete!...

Eram pouco mais de 7 da noite. Resolvi voltar a pé. Minha vaidade queria o ÓOOHhh! dos estranhos, como se soubessem ou se importassem com a minha delícia. Coisa mais comum! Mas olha só, ô seu moço, olha que beleza! Que curtinho! Que soltinho! Que lisinho! Que Delícia! Que bonito que ficou!... E eram muitas calçadas diferentemente iguais! Farfaleando pelas quadras, olhava mesmo era pra minha some-aparece-some-aparece-sombra, entre postes e faróis de carros. Me apaixonei pelos fios esvoaçados ao ventinho fresco e seco que o inverno goiano nos dá. Como em Hollywood, parei o trânsito por várias vezes (com uma ajudinha dos semáforos - vermelhos, lógico)!

Entrei na padaria pra comprar rosquinhas, leite e pão francês. Fiquei com cara de francesa com o Chanel de Bico no sorriso! - pensei. O dono até me sorriu - na mesma simpatia de ante-ontem. Sua esposa também me sorriu - na mesma alegria de ontem. E hoje o tradicional "Boa noite e volte sempre!" foi o mais sorridente. Em casa, vizinhas deram pulinhos e gritinhos em tons de Ah! Se eu tivesse coragem!... Melhor mesmo, só a cara do Gui - o meu Xuxuuuu irmão. Ele, que nunca repara nessas coisas e quando repara rasga elogios inusitadamente contrários àquilo que toda mulher quer ouvir, abriu de imediato o belo sorriso, e inspirou um alto Olha sóooo! Que gata, hein! Adorei! Ficou linda!...

Narciso anda me agradecendo com sorriso solto quando vou ao espelho, e vai continuar até enquanto durarem os estoques de encantadores espantos dos amigos. Do mais, tudo em breve volta ao doce normal, centímetro a centímetro, mês a mês...

(*) O livro de deliciosa leitura: Não subestime uma mulherzinha, me foi recomendado por um recém descoberto homem. Recém descoberto por mim, que tanto ouvia falar dele, de seus trabalhos, de sua generosa simplicidade, de suas fortes proezas. Meu querido poeta Alberto, obrigada pelo apoio e doces palavras sobre minhas perdidas e eufóricas linhas. É com vaidade comedida que recebo seus elogios, e sou-lhe especialmente grata por isso. Seu conhecimento é a pauta de suas palavras, e por isso tanto respeito e consideração meus. Desde já e sempre, muito obrigada. Nóbrega.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Ao meu anjo da guarda.

Doce presença, que sempre me espreita. Companheiro inseparável na direção e altura de minhas pegadas. A outra mão da outra alça da cesta. Fofoqueiro de docilidades e eminências de perigos. Companheiro de lágrimas concretas que chora junto, e enxuga a dor da corrente esmagada. Suas lágrimas são carinho, doce presente invisível-sensível, maciças e puras bolinhas de cristal da alma via coração. Sorrisinho de criança ao pé do ouvido pra abrir a janela fechada onirica e cálida há poucos segundos prum mundo fantásticamente real, apenas pra saudar com ele, os primeiros raios de sol. Pio de rolinha na janela em busca de novidade e canção. Fartura na secura do coração. Sombra rendada de fôfo gramado. Bengala pros pés rachados de novidades cortantes. Mensageiro de impressões reais, tão inacreditavelmente certas que até parecem mentira. Matéria delicada, pura, cheia de não sei o quê que só se define num etéreo dicionário. Para somente ele, a cada pegada na terra doada é plantado meu respeito. Que em tempo suficiente, minhas mãos colham em prece o fruto doce para seu nutrir. Por todos os dias, momentos, menor partícula existente do tempo do qual você tem conhecimento, é exclusivo a ti, a luz que um dia terei e que hoje me falta, todo o meu carinho e o meu agradecimento.

Um bejio eterno
e sincero em sua alma
com sabor de horizonte de algodão de Angelus,
Manjericão Branco.

7 equações da minha rotina criativa


1: A Primavera chega pra quem deixa o Inverno passar. Deixe Se7embro entrar.

2: Nas suas 7 letras são resumidos tantos que o resto do alfabeto é redundância: SAUDADE.

3: Passarei por sempre 7 dias de todos os 7 tempos pra deixar a cada momento 7 beijos com frescor de manjeircão.

4: De segunda a domingo, há males que vem com os males que deixamos continuar, mas há bens que, a todo minuto, querem tomar este lugar.

5: Por n X 7 vezes pincelado, poema refugado poema rejeitado.

6: Teoricamente, somos gatos menos 6 vidas.

7: SIMPLES: adjetivo, substantivo, assexuado; invariável. Valor de X que é = ao valor de SIMPLES é = à matemática insolucionável por qualquer equação metafísica ainda desconhecida, anos-luz dos nossos conhecimentos pretenciosos e universais. PERFEIÇÃO: superlativo de [SIMPLES +/- 2].

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